Contato humano

Tenho dificuldade com títulos de texto. Nunca me vem à mente uma expressão que resuma, perfeitamente, o que estou escrevendo. Seria mais fácil se fosse um roteiro de novela das oito. Aí colocava um alguma-coisa-família e pronto. Mas como não é (ainda bem), espero descobrir um bom título para este texto enquanto ele se projeta na tela do computador.

Mas sobre o que eu queria falar mesmo? Ah, sim, outro dia me deparei com uma foto de um casal, recém-casados, a moça eu conheci há um bom tempo. Em outra ocasião descobri que um conhecido iria se tornar pai. E experimentei uma estranha sensação quando descobri que uma ex-colega havia nos deixado pra sempre. Quem me mostrou tudo isso? A Internet, por intermédio das controversas redes sociais.

Fico feliz com a felicidade dos outros, ainda que não seja alguém próximo. Ou mesmo que seja um desconhecido. Me sinto bem, por exemplo, quando vou tirar fotos 3×4 (não por isso, obviamente) e vejo na vitrine, expostas, fotos de pessoas que jamais vi, mas que naquele instante registrado pelas lentes do fotógrafo, expressaram em seus olhares uma alegria genuína, ímpar.

Também fico triste pelas pessoas. Confesso que a sensação de dor, de angústia, solidão e medo me atraem ainda mais que a euforia. Talvez porque, quanto mais sou capaz de compreender essas sensações, mais me sentirei preparado para suas chegadas. Mais importante: me ajuda a descobrir como fazê-las partir.

Entretanto, é muito mais difícil conhecer o “lado negro” das pessoas, uma vez que, num claro mecanismo de auto-defesa, nós seres humanos escondemos nossas fraquezas num baú velho e pesado da mente, revelando-as somente para aqueles que possuem uma cópia da chave: família e amigos.

Com o advento das redes sociais, nos acostumamos a ver o dia-a-dia dos nossos amigos mais próximos, como num reality show produzido pelo próprio Zuckerberg e dirigido por nós mesmos. A questão é que, como ele é editado para mostrar apenas os bons momentos,  raramente se faz necessário um ombro amigo virtual.

Sinto muita falta de um simples “como cê tá?”, para que eu possa, sem filtros ou edições, dizer como eu me sinto de verdade. Expor meus medos e minhas angústias, me sentir vivo! E pra isso nada melhor que saber que há pessoas que se importam conosco, cujas vidas influenciamos. Dói demais se sentir só. A solidão é colega de quarto da morte.

Precisamos de menos likes e mais euteamos, menos posts e mais paposdebuteco. Precisamos mais de… de…

Contato humano. É isso! Acho que dá um bom título.

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